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© 2017 by Adelmo Avancini.

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Vale, Montanha, Vale

March 11, 2018

 

 

Ela se aproximou de mim e disse seu nome, que já esqueci. Sentamo-nos no chão e folheamos revistas. Ela pediu a um dos seus amigos que lhe desse seu violão. Olhei seus olhos, enquanto ela dedilhava as cordas – eram claros e puros.


Eu nunca diria meu nome a um desconhecido, mas ela insistiu e eu inventei qualquer coisa. Olhou pra mim, desconfiada, enquanto cantava uma canção com meu novo nome. Meu coração já era velho, por isso agradeci e me afastei em direção à montanha. Ela me seguiu até o castelo, sem perceber que o clima frio transformava tudo.


Eu vesti um terno escuro e lhe presenteei com um vestido de noite: “Os tempos são outros. Seja triste comigo agora”. Ela pintou seus olhos com cores escuras, seus lábios azularam-se com o frio, que lhe tirou também o sangue da face. Ela foi recebida com honras: “Senhora, queremos ver-te...” Ela aceitou o jogo, sem constrangimentos. No palco, apresentou uma dança, acompanhada de um homem que a guiava com passos caóticos e viris e os movimentos rápidos de um chicote, recitando um poema violento e absurdo, enquanto o chicote enrolava-se em seu corpo, libertando-a de suas roupas, revelando seu esplendor. Por fim, busquei a garota atrás das cortinas, curei suas feridas, enrolei-a numa coberta e escapei do castelo com ela no colo.


O vale já não era o mesmo quando voltamos, nós tampouco. Buscamos uma cabana próxima ao rio, onde fomos morar. Ela ainda cantava ao se banhar no rio, canções belas e tristes, que enalteciam a alegria dos primeiros tempos, mas escolhiam a escuridão da montanha como melhor instrutora da alma. Com o tempo, eu elaborei a dança que tornaria aquela sabedoria minha também. Levamos às feiras nossa demência, e ela se espalhou com o vento para toda aquela geração esquecida. 

 

(Adelmo Avancini)

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