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© 2017 by Adelmo Avancini.

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O pirata

August 13, 2017

 

Havia aquela ilha, ao longe a via. Um impulso me levou às águas turbulentas naquele dia de tempestade.


Meus pés tocaram a areia molhada e já não chovia. Havia um pirata, deitado na praia, febril. Ele me apontou o lugar onde haveria um antídoto para o veneno que o matava. Corri na direção indicada, mas não me importava a vida do homem. Conheci, porém, a vida que levara, vira-a em seus olhos, e ambicionei ser como ele.


Encontrei um velho templo, em ruínas. Uma velha sacerdotisa me esperava e me presenteou com um frasco. Disse-me que bebesse o líquido, que não permitisse que ninguém mais o tocasse. Prometi-lhe isso, mas havia feito um compromisso diferente antes. Levei o frasco ao homem, que bebeu seu conteúdo e vomitou por horas. Finalmente se ergueu e disse-me que era muito tarde e morreria, mas antes me presentearia com a vida que tivera.


Esperei sua morte, vendo-o lentamente agonizar, por horas. Quando a noite chegou, busquei folhas secas que lhe amenizassem o frio, mas ele morreu antes que eu retornasse. Usei então as folhas e pedaços de madeira para erguer uma fogueira.

 

Despi o corpo e coloquei-o no fogo. A sacerdotisa se aproximou, lentamente, entoando uma canção sombria e triste. Seu canto chamou velhos deuses à cerimônia, que com ela cantaram, dançaram e choraram. Por fim, trouxe-me a roupa do homem e me ensinou o caminho para o navio que agora era meu.


Tornei-me pirata. Todos os homens me temiam e fui amado pelas mulheres mais belas, que puderam transformar em paixão o temor que sentiam por mim. Encontrei por fim a garota, que me amou sem medo. Trouxe-a para o mar e ela descobriu que era maior que eu. Eu a amei, e tive medo pela primeira vez.


Na alta noite, ela aprendia com o vento antigas canções e se tornou poderosa com aquela magia. Eu me tornava cada vez mais louco de amor, até adoecer.


Aportamos novamente na ilha. Deitei-me na praia e ela dirigiu-se ao velho templo, disposta a me preparar um remédio. O jovem chegou após a tempestade. Apontei-lhe o caminho do templo, ele leu meu passado em meus olhos e quis ser o que eu havia sido e se dirigiu para lá. Trouxe-me um frasco, e lhe ordenei:

 

– Beba, senão morreremos.

 

Bebeu, e ergui-me com sua ajuda, adentramos a floresta, chegamos ao templo e vi a garota acompanhada de seus deuses negros. Ergui uma espada e perfurei seu peito, conjurei uma maldição que afastou os demônios e me tornei jovem de novo. O jovem que me ajudara metamorfoseara-se em mim, ou eu nele.

 

Abandonei meu navio e meu passado de glórias, atravessei de novo o rio a nado e retornei. A tempestade ressurgiu a meio caminho, mas já não me surpreendeu.

(Adelmo Avancini)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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